segunda-feira, 29 de maio de 2006

Papa pede em Auschwitz perdão pelo Holocausto

Todo ser humano deveria ir a Auschwitz pelo menos uma vez na vida. Todo alemão deveria ser obrigado a ir. É o maior pesadelo da História. Naquele centro de extermínio e no vizinho campo de concentração de Birkenau, os nazistas mataram 1,6 milhão de pessoas, na maioria judeus, durante a Segunda Guerra Mundial.

Ontem foi a vez do papa alemão Bento XVI, que chegou a se alistar, por obrigação, na Juventude Nazista. Auschwitz era um quartel do Exército da Polônia situado numa região pantanosa entre o Rio Vístula e seu afluente, o Sola. Fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Por isso foi usado para receber os judeus do Leste, principalmente da Hungria.

Depois de tomar a Polônia em setembro de 1939, no início da guerra, os nazistas se instalaram em Auschwitz em 20 de maio de 1940. Em 14 de junho deste ano, 728 presos políticos poloneses trazidos de Tarnów foram os primeiros a ser internados lá. Inicialmente o campo de concentração foi usado para prender intelectuais e membros da resistência polonesa, criminosos e homossexuais alemães.

Logo foram construídas instalações especiais, inclusive as casas de banho que seriam usadas como câmaras de gás. Mais tarde, seriam acrescentados os fornos crematórios.

Os primeiros judeus chegaram da Eslováquia e da Alta Silésia em 1941. Neste mesmo ano, o campo foi visitado por Heinrich Himmler, chefe das SS, a tropa de elite de Hitler que operava os campos de concentração. Ele ordenou a conclusão de um novo campo ali perto, Birkenau.

Na entrada de Auschwitz, os nazistas colocaram uma frase sarcástica: "Arbeit Macht Frei" (O trabalho te libertará). Quem não tinha condições de trabalhar, ia diretamente para as câmaras de gás. Em setembro de 1941, os primeiros poloneses e soviéticos foram mortos com gás cianídrico.

Quando os nazistas decidiram adotar a "solução final" para exterminar os judeus, na Conferência de Wanssee, em 20 de janeiro de 1942, Auschwitz tornou-se uma peça central da máquina de matar de Hitler. Lá, mulheres foram esterilizadas e o Dr. Josef Mengele fez experiências de engenharia genética com seres humanos.

Mais de 1,6 milhão de pessoas foram mortas em Auschwitz-Birkenau, sendo 1,1 milhão de judeus, até a libertação do campo por tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945. Quando todo o horror foi revelado, com as figuras cadavéricas de seus sobreviventes em pele e osso, o mundo começou a questionar por que nunca houve uma ação militar específica para libertar Auschwitz e os outros campos de concentração nazistas.

Além dos líderes políticos dos aliados contra Hitler, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o papa Pio XII foi acusado de não denunciar os campos de concentração. De 1941 a 1944, diversos relatos sobre Auschwitz chegaram ao comando militar aliado. Churchill teria preparado um bombardeio aéreo, desistindo porque os prisioneiros seriam mortos sem que o Holocausto fosse interrompido.

“Neste lugar de horror, de crimes em massa contra Deus e o homem que não tem comparação na história, falar é quase impossível e especialmente difícil e opressiva para um papa que vem da Alemanha", declarou Bento XVI ao visitar o campo.

"Num lugar como este, a gente fica sem palavras, e no fundo pode haver só um silêncio aterrador, um silêncio que é um grito interior para Deus. Por quê, Senhor, ficaste calado? Como pudeste tolerar tudo isto?", se perguntou Joseph Ratzinger, o primeiro papa alemão a visitar a terrível fábrica da morte dos nazistas.

"Este silencio, no entanto, logo se converte luego num pedido em voz alta de perdão e de reconciliação; um grito a Deus para que não permita nunca mais uma coisa semelhante", acrescentou o Papa, diante do monumento internacional às vítimas do Holocausto em Birkenau.

Talvez os melhores relatos literários da tragédia de Auschwitz sejam os livros do escritor italiano Primo Levi, que sobreviveu ao campo para se suicidar depois, não conseguindo resistir à tortura permanente em que se transformou sua vida.

Estive em Aschwitz em setembro de 1998, durante uma viagem pela Europa Oriental. É um lugar aterrador. Com voz sombria, a guia do Museu de Auschwitz-Birkenau descrevia para que serviam os diferentes pavilhões e instalações. O rosto dos visitantes se transfigurava à medida em que as atrocidades eram recontadas. Havia celas para morrer de fome, outras para morrer de falta de ar,um paredão crivado de balas, os laboratórios do Dr. Mengele.

Pior ainda, para mim, foi ver as pilhas e pilhas de objetivos que pertenciam às vítimas de Auschwitz: malas, sapatos, roupas, dentaduras de onde foram roubados os dentes de ouro, sapatinhos infantis...

Dá vontade chorar. As pessoas se comovem e choram. A gente se sente mal, culpado por pertencer à espécie animal que foi capaz de engendrar tamanho massacre contra si mesma. Aí o visitante de Auschwitz começa a sentir-se mal consigo mesmo. É quando se dá conta de que por mais que se sofra ao visitar o campo, este sentimento não é nada, absolutamente nada, comparado com um segundo do que suas vítimas viveram ali.

É uma culpa infinita. Auschwitz e Hiroxima são as imagens definitivas do século 20.

5 comentários:

Almost married in new places disse...

Por favor, como se pode ir de Varsovia a Auschwitz? Estou tentando encontrar na internet, mas não consigo colher informações. Obrigada.

Stefano disse...

Eslovakia... o chefe de estado era o padre Tiso!! Tiso nunca foi excomungado pelo papa!

Stefano disse...

sobre Pio XII

o papa atual foi da Hitlerjugend.... e venera o papa de Hitler... Pio XII...

ah....
Pio XII tem passado negro....
quando era cardeal Pacelli... ele intruiu o partido católico de Centro (Zentrum) a votar a favor de 1 lei de exceção em 1933 que dava imensos poderes a Hitler... em troca... o III Reich assinou concordata com o vaticano. Pacelli participou da assinatura da concordata.
Pacelli e o Vaticano não tomaram nenhuma atitude contra os prelados alemaes e austriacos que apoiavam Hitler. Nem se importaram com a presença de capelães na SS e Wehrmacht.
Pio XII nao condenou o padre Jozef Tiso, ditador eslovaco (pró-nazista).Tiso massacrou judeusmciganos e opositores.
Tampouco condenou o regime Ustasha (Croácia) liderado por Ante Pavelic. o regime era nazi-catolico e exterminou opositores, ortodoxos servios, ciganos e judeus... a crueldade Ustasha escandalizava até mesmo os nazistas! Padres participavam pessoalmente das atrocidades... promoviam conversoes forçadas,torturas e assassinatos.
Pio XII foi alertado ... mas se omitiu criminosamente.
Depois da guerra... varios nazis e ustashas(Mengele,Eichmann,Pavelic etc.) fugiram da Europa com ajuda do Vaticano,CIA e Cruz Vermelha (Ratlines). Os prelados Hudal*,Draganovic**,Montini***,Tisserant,Caggiano e Siri estavam envolvidos com as Ratlines.

*austriaco, membro do NSDAP
**croata e antigo oficial de Pavelic.
***ele se tornou o papa Paulo VI

Eduardo Siqueira disse...
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Eduardo Siqueira disse...

nossa cara, como vc é burro... vomitar asneiras com tom de hitoriador faz de vc não apenas mais uma marionete como também conivente com as mentiras que espalham.

Hitler era luterano, os pastores luteranos se vestiam iguais aos padres.
O papa Bento XVI não se alistou na juventude hitlerista, ele foi obrigado a se alistar no corpo de defesa aerea da alemanha que desde sempre fazia parte das forças armadas alemãs e não tinha nada a ver com o partido nazista... acusar as forças armadas alemãs de serem nazistas é a mesma coisa que acusar o exercito brasileiro de ser petista...

Se o santo Papa Pacelli era o papa de hitler então como vc me explica as declarações de Albert Einstein, Golda Meir, varios rabinos de toda europa e principalmente Moshe Sharett que disse:

"Se o papa tivesse falado [abertamente contra o regime de Hitler], Hitler teria provavelmente massacrado mais de seis milhões de hebreus e talvez dez vezes dez milhões de Católicos, se tivesse tido o poder para o fazer"

acusar, criticar, qualquer um consegue... pesquisar e ir atras da verdade... já é outra história.